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O encanto da morte

24 Aug 2017

 

Confesso que sempre me senti atraída por temas ligados a morte. Antes parecia macabro admitir isso até para mim mesma. Dava uma disfarçada na época do colégio, mas lá estava eu encantada com os livros de história antiga, me deliciando com as pirâmides, o livro dos mortos e os rituais de passagem dos egípcios...

 

Entendi depois que parte dessa atração tinha a ver com o mistério, o oculto, a transformação. Comecei a aceitar esse interesse e até a valorizá-lo como uma espécie de "status" no caminho do autoconhecimento.

 

Quando a morte veio com força no meu processo pessoal, reconheci. Sabia que tudo aquilo que eu estava sentindo na alma era uma passagem para uma compreensão maior da vida, dos relacionamentos, do amor. Mas doeu.

 

Reconheci o rosto da morte, mas as suas artimanhas são sempre surpreendentes.

 

Mesmo "preparada", ela me disse:

- Entenda: nesse momento o controle não é seu. Confie.

 

O "status" perdeu um pouco do sentido... Tava doendo demais.

Com um pouco de rebeldia e carinho, fui abrandando meu coração. E finalmente soltei o destino.

 

A morte veio e no processo lento de renascimento, me trouxe vida. Várias coisas sobre o universo feminino começaram a reverberar em mim. Já tinha estudado um pouco e sabia que a energia feminina é senhora dos ritmos, ciclos e da alquimia natural. Mas quando a morte veio dançar comigo, o conhecimento virou sabedoria dentro do meu ventre.

 

Continuo menina, continuo com medo do que não controlo, continuo carente de amor.

Mas a dimensão da entrega tem ficado cada vez mais forte. E é sorrindo com a morte que me reconheço mulher.

 

 

foto: Flora Negri (@floravnegri)

 

 

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